Conflito entre Irã e Israel: entenda a tensão

O conflito entre Irã e Israel é um dos mais complexos e perigosos do século XXI. Embora nunca tenham travado uma guerra direta prolongada, os dois países estão envolvidos há décadas em uma guerra indireta — marcada por espionagem, sabotagens, ataques pontuais e alianças estratégicas. Em 2025, essa rivalidade atingiu um novo e alarmante nível, com ataques diretos entre os dois Estados, algo inédito até então. Para entender por que chegamos a essa situação, é necessário voltar no tempo e examinar os fatores históricos, ideológicos e geopolíticos que moldaram essa tensão.

Antes de 1979: relações amistosas e cooperação estratégica

Antes da Revolução Islâmica, o Irã , então governado pelo xá Mohammad Reza Pahlavi, mantinha boas relações com Israel. Ambos viam a crescente influência árabe como uma ameaça comum e cooperavam em questões de segurança e comércio. Israel chegou a ajudar o Irã com tecnologia militar e infraestrutura.

1979: a Revolução Islâmica e o início da inimizade

A virada veio com a Revolução Islâmica, quando o aiatolá Ruhollah Khomeini assumiu o poder e implantou um regime teocrático xiita. A nova liderança iraniana passou a considerar Israel um inimigo do Islã e símbolo do imperialismo ocidental. Desde então, o Irã rompeu relações diplomáticas com Israel, passou a apoiar grupos como o Hezbollah (no Líbano) e o Hamas (em Gaza), e adotou uma retórica agressiva, negando inclusive o direito de existência do Estado de Israel.

Anos 2000: programa nuclear iraniano e ameaça existencial

Nos anos 2000, o Irã começou a desenvolver seu programa nuclear. Embora alegasse fins pacíficos, as evidências de enriquecimento de urânio em níveis elevados e a resistência a inspeções internacionais alarmaram o mundo — especialmente Israel, que passou a ver o Irã como uma ameaça existencial.

Israel respondeu com operações secretas:

  • Assassinato de cientistas nucleares iranianos (como Mostafa Ahmadi Roshan e Mohsen Fakhrizadeh),
  • Ciberataques, como o famoso ataque com o vírus Stuxnet, que danificou centrífugas nucleares iranianas,
  • Cooperação com os EUA para sabotar o avanço do programa nuclear.

Guerra na Síria (2011–): campo de batalha indireto

A guerra civil síria criou um novo campo de conflito entre Irã e Israel. O Irã passou a apoiar militarmente o regime de Bashar al-Assad e a estabelecer bases militares na Síria, perto da fronteira israelense.

Israel, por sua vez, intensificou ataques aéreos na Síria, visando depósitos de armas, comboios e instalações iranianas. A partir de 2017, esses ataques se tornaram semanais ou até diários, embora raramente assumidos oficialmente.

2020–2023: aumento das tensões e diplomacia em ruínas

Durante esse período, as tensões aumentaram por diversos motivos:

  • Acordos de paz entre Israel e países árabes (como Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Marrocos) enfraqueceram o isolamento de Israel e foram vistos como ameaça estratégica pelo Irã.
  • O Irã acelerou o enriquecimento de urânio após a retirada dos EUA do acordo nuclear (JCPOA) em 2018 e a falta de avanços concretos em uma nova negociação.
  • O Hezbollah e o Hamas receberam armas mais avançadas do Irã, aumentando o risco de um conflito em múltiplas frentes.

2024: o ano da virada — ataques diretos inéditos

Em abril de 2024, um ataque aéreo destruiu o consulado iraniano em Damasco, matando um alto comandante da Guarda Revolucionária. O Irã culpou diretamente Israel, que não confirmou nem negou a autoria.

Em resposta, o Irã lançou mais de 300 drones e mísseis contra Israel — o primeiro ataque direto, em larga escala, de um Estado contra o outro. Graças ao sistema de defesa israelense (como o Domo de Ferro), a maior parte foi interceptada, mas o impacto político e simbólico foi enorme.

Israel retaliou com ataques cirúrgicos a alvos estratégicos dentro do território iraniano, incluindo instalações militares e, possivelmente, áreas ligadas ao programa nuclear.

2025: a escalada sem precedentes

Em 2025, a situação atingiu o ponto mais crítico em décadas:

  • Israel passou a considerar seriamente a opção de um ataque preventivo contra as usinas nucleares iranianas, o que poderia desencadear uma guerra em larga escala.
  • O Irã, por sua vez, fortaleceu alianças com a Rússia e a China, tentando se proteger de sanções e obter apoio militar e diplomático.
  • Grupos armados como Hezbollah e milícias no Iraque intensificaram ataques contra Israel e bases dos EUA na região.
  • O mundo assiste a uma guerra híbrida, com confrontos no ar, no ciberespaço e por meio de intermediários.

Por que chegamos até aqui?

O cenário de 2025 é resultado de décadas de:

  • Falta de diálogo direto entre os governos;
  • Desconfiança profunda e ideologias irreconciliáveis;
  • Conflitos por procuração (proxy wars) e uso de grupos armados;
  • Apoio internacional polarizado, com potências ocidentais alinhadas com Israel e outras potências como Rússia e China favorecendo o Irã;
  • Fracasso dos acordos diplomáticos, como o JCPOA.

O conflito entre Irã e Israel não é apenas uma disputa entre dois países, mas sim uma engrenagem central na instabilidade do Oriente Médio. A escalada de 2024 e 2025 mostra como anos de provocações, sabotagens e guerras indiretas podem explodir em um confronto direto, com riscos globais. Se não houver uma mudança radical na diplomacia e nas alianças regionais, o mundo poderá testemunhar uma guerra que vá além do Oriente Médio.

Um comentário em “Conflito entre Irã e Israel: entenda a tensão

Adicione o seu

  1. Oi, Elaine! Que ótima explicação referente a esse conflito! A situação está se agravando, mas o melhor que podemos fazer é nos manter informados! Adorei o seu texto! Escreveu igual a uma repórter investigativa!

    Curtir

Deixar mensagem para Jonathan Casé Cancelar resposta

Um site WordPress.com.

Acima ↑