A Criança Emocional no Adulto: Feridas da Infância e Suas Repetições Inconscientes

Você já se pegou reagindo de forma exagerada a uma situação simples? Já sentiu uma dor desproporcional diante de uma crítica, ou um medo que parece não ter origem no presente? Talvez ali não fosse você adulto respondendo, mas sim a sua criança emocional, aquela parte interna que carrega marcas, carências e dores da infância que ainda não foram simbolizadas.

Na psicanálise, compreendemos que a infância não fica para trás apenas porque crescemos. Ela se torna parte estrutural do nosso psiquismo. Freud nos ensinou que o inconsciente é atemporal, e por isso experiências infantis mal resolvidas continuam vivas dentro de nós, repetindo-se sob novas roupagens.

Essa repetição não é consciente. Muitas vezes, ela surge em nossas relações mais íntimas: esperamos que o parceiro repare o que nossos pais não deram; buscamos no trabalho o reconhecimento que nunca tivemos em casa; nos sabotamos como forma de permanecer leais a uma dinâmica familiar.

A “criança emocional” não é imatura por natureza. Ela é ferida, silenciada, não escutada. Carrega medos que foram ignorados, desejos que foram proibidos, afetos que foram julgados. E por não ter tido espaço para existir na infância, ela encontra brechas na vida adulta para se manifestar — nas reações impulsivas, na dependência emocional, nas explosões de raiva, no medo de abandono.

A escuta psicanalítica acolhe essa criança. Ela não a corrige, não a silencia, não a julga. O processo analítico possibilita que o adulto entre em contato com essas camadas mais profundas de si, dando voz à dor que antes só sabia gritar por meio dos sintomas.

Como disse Freud:

“A experiência nos ensina que a maior parte dos seres humanos apenas se torna realmente eles mesmos depois de terem revivido, por meio da repetição, os sentimentos, desejos e conflitos da infância.”
(Sigmund Freud – “Recordar, Repetir e Elaborar”, 1914)

Olhar para a criança que vive em você não é regredir, é amadurecer. É permitir que aquela parte ferida seja escutada, elaborada e, finalmente, transformada. É assim que se constrói uma autonomia emocional verdadeira: integrando todas as nossas partes, inclusive as mais vulneráveis.

Quero te indicar um dos últimos livros que li e amei: Volta ao Lar – Como Resgatar e Defender sua Criança Interior.

Abaixo o link da playlist.
https://www.youtube.com/playlist?list=PL8YOtFmh3Mf0tEdSyCIuETgT-lAtqS6LD

Se você, assim como eu, prefere a leitura, vou deixar aqui o link do meu Drive para baixar o PDF.

https://drive.google.com/file/d/10nFlRVxHbIMw-OTJdrHk65g2MuIgsHge/view?usp=sharing

Um comentário em “A Criança Emocional no Adulto: Feridas da Infância e Suas Repetições Inconscientes

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  1. Oi, Elaine! Você através do seu conhecimento, me deu uma percepção bem melhor do que eu tinha sobre a “criança interior”! Realmente Devemos cuidar e proteger a nossa “criança interior”, principalmente para curar as nossas feridas emocionais, destravar os nossos bloqueios internos e mutas vezes mudar até as nossas crenças! Curar e amar a nossa “criança emocional” nos dará até uma percepção melhor da vida e de nós mesmos. Eu adorei o seu texto!

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