Retirado do depoimento contido em Vida de Dante.
– Perdoe-nos por acordá-lo, senhor, mas viemos por um assunto muito importante.
O velho, de pijama, encarou os dois jovens que haviam batido à sua porta no meio da noite.
– Quem são vocês? – perguntou ele, com um misto de irritação e medo na voz.
– Sou Jacopo Alighieri, filho do poeta Dante. Este é meu amigo.
O rosto do homem abrandou à menção do nome do grande poeta.
– Ah, signore Alighieri. Meus pêsames pela perda de seu pai. Sempre considerei uma honra viver na casa onde ele passou tantos anos.
– Obrigado, senhor – respondeu Jacopo, de modo respeitoso. – É por esta ter sido a casa de meu pai que viemos visitá-lo agora à noite.
– Entre, entrem.
Os dois rapazes entraram na casa, e Jacopo então contou ao homem sobre seu sonho:
– Meu bom senhor, meu pai, Dante, apareceu para mim em meus sonhos hoje. Ele estava vestido de branco e seu rosto brilhava com uma luz resplandecente. Perguntei-lhe se estava vivo, e ele respondeu: “Estou, mas vivo uma vida verdadeira, não como a sua.
O homem permaneceu em silêncio, uma expressão de assombro estampada em seu rosto.
– Perguntei-lhe então se tinha completado toda sua obra antes de passar para a vida verdadeira, e ele me disse. “Sim, terminei.” Em seguida, perguntei o que havia acontecido com os últimos treze cantos de sua Divina Comédia, os quais estão faltando no manuscrito.
O homem anuiu. A Comédia de Dante era bem conhecida.
– Meu pai então me pegou pela mão e viemos até o quarto onde ele dormia aqui nesta casa. Isso mesmo, meu bom senhor, estive aqui hoje à noite, embora não da forma como o senhor está me vendo agora.
O homem engasgou, mas não disse nada.
– Meu pai tocou uma das paredes do quarto e me disse: “O que procuras com tanto afinco está aqui.” Em seguida, acordei. Liguei para meu amigo, e, bom, aqui estamos.
O homem permaneceu em silêncio por um momento e depois falou:
– Você quer ir até o quarto.
Jacopo fez que sim, e o homem o guiou até o quarto principal. Jacopo seguiu direto até a parede que seu pai havia tocado e encontrou um tapete pendurado. Levantou o tapete. O dono da casa levou a mão ao peito e fez o sinal-da-cruz.
– Meu Deus! – exclamou baixinho. Sem dúvida, ele não sabia da existência do compartimento secreto. Jacopo enfiou a mão e puxou uma pilha de folhas, a qual percebeu imediatamente serem os cantos perdidos.
Graças ao fantasma de Dante, A divina comédia agora estava completa.


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