Como se eu habitasse o vazio, vozes sussurram em meu âmago, quando me encontro mergulhado no abismo de um sono desperto. Um estado letárgico, alérgico às promessas de novas esperanças e amores que pairam no horizonte.
As canções que um dia acariciaram meus ouvidos agora ecoam como meras cascas, vazias de significado. Melodias que outrora eram trilhas sonoras da minha vida se tornaram as cicatrizes de uma ferida que insiste em permanecer aberta.

Não sei quando exatamente isso aconteceu, talvez tenha sido nos tempos em que, como um equilibrista destemido, ousei percorrer as frágeis almas de tantos amados. No porão sombrio da minha memória, fotografias desbotadas contam histórias que mal consigo reconhecer. Rostos que um dia foram tão familiares agora se misturam com outros, como se o tempo tivesse embaralhado as lembranças.
Já se passou muito tempo desde que ousei descer aqueles degraus rangentes em busca das relíquias do passado. Talvez, hoje em dia, não reste mais nenhum rosto por trás das molduras, apenas o eco silencioso das memórias desvanecidas, um retrato de um tempo que se perdeu no intricado labirinto do esquecimento.

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