Alice Kyteler: a feiticeira de Kilkenny (1263-1325)

No coração da Idade Média, quando lendas e histórias de bruxaria eram tecidas em torno de fogueiras, uma figura misteriosa emergiu das brumas da Irlanda – Alice Kyteler, a Feiticeira de Kilkenny. Sua vida é um enigma intrigante que desafia nossa compreensão e nos transporta para um mundo repleto de magia, acusações, intrigas e perseguições.

Neste artigo, vamos explorar a vida e as curiosidades que cercam a notória feiticeira que viveu entre 1263 e 1325, mergulhando nas situações que a envolveram em controvérsias e acusações de bruxaria em uma época em que o sobrenatural era considerado real e perigoso.

Alice Kyteler, nascida em 1263 em Kilkenny, Irlanda, é uma das figuras mais enigmáticas da Idade Média. Além de sua origem nobre como filha de um comerciante abastado, Alice era notória por seu magnetismo pessoal e suas conexões com o mundo do ocultismo.

Ascensão e o mistério de Alice Kyteler

Alice Kyteler era filha de um rico comerciante de Kilkenny, mas sua fama não se baseava em sua linhagem, e sim em suas atividades consideradas obscuras. Ela se casou quatro vezes, viu seus maridos morrerem sob circunstâncias misteriosas e acumularam riquezas e propriedades ao longo dos anos. O que mais a distinguir, no entanto, eram suas conexões com o mundo da magia e do ocultismo.

Alice Kyteler era conhecida por suas habilidades, na prática de alquimia, astrologia e curas herbais, habilidades que atraíram tanta admiração quanto suspeitas. Alegava-se que ela possuía um gato demoníaco que a servia como familiar, e sua residência era frequentemente visitada por mulheres em busca de poções e encantamentos.

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Alice foi acusada de bruxaria na Irlanda (Foto: reprodução/AminoApps)

Acusações de bruxária e o julgamento de Alice Kyteler

A vida de Alice Kyteler tomou um boato sombrio quando as acusações de bruxaria giraram em torno de sua existência. Em 1324, um clérigo chamado Richard de Ledrede alegou que Alice e seus associados estavam envolvidos em práticas heréticas e demoníacas. Alice foi acusada de renunciar ao cristianismo, adorar demônios, usar encantamentos mágicos para prejudicar e matar pessoas e realizar rituais obscuros.

O julgamento de Alice Kyteler é notório não apenas por suas denúncias de bruxaria, mas também por seu contexto histórico. A Inquisição estava ganhando força na Europa, e as acusações de heresia e bruxaria eram cada vez mais comuns. No caso de Alice, as autoridades locais, com o apoio do clero, conduziram um julgamento que atraiu atenção e escrutínio.

Fuga de Alice Kyteler e seu Legado

Alice Kyteler sabia que sua vida estava em perigo, e em meio ao julgamento, ela conseguiu escapar de Kilkenny e não foi mais vista. As outras mulheres acusadas no processo foram submetidas a penitências, mas Alice havia desaparecido, deixando para trás um legado de mistério.

A história de Alice Kyteler continua fascinando historiadores, escritores e entusiastas do ocultismo. Se ela era realmente uma feiticeira ou uma mulher à frente do seu tempo, é um debate que permanece aberto. Sua vida e o julgamento que a cercou lançaram luz sobre a tensa relação entre o sobrenatural e a ortodoxia religiosa na Idade Média.

Foto destaque: Lady Killers: Assassinas em Série / Alice Kyteler (Reprodução/ Site The Crime Brasil)

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