
Nesta casa há muitos relógios que brigam entre si:
quem traz consigo a exatidão da hora?
Em cada cômodo, cada um desses objetos reivindica
a exatidão do tempo enquanto nós,
arbitrários, damos uma sentença: é que na casa cada um
tem o tempo que lhe convém,
de modo que temos como certa e exata a nossa vontade.
Se temos fome, olhamos para o relógio que aponta meio dia;
se temos sono, para o que diz que já passa das dez da noite.
Se insones, ficamos com aquele que deixou de girar o seu ponteiro ás duas da tarde. E quando estamos todos de acordo, o tempo não existe
e os relógios, inúteis, reivindicam a exatidão
que jamais existirá.

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