
LÍRICA CAMONIANA
– Contexto histórico: Renascimento
– Faz parte do classicismo e segue, portanto, a estética clássica
IMITAÇÃO: Usa modelo preexistente para elaborar a arte, sejam como modelo os escritores greco-latinos ou modernos.
RACIONALISMO: Apesar do lirismo, o poeta não se entrega a um fluxo sentimental ou emocional. É um sentimento controlado pela razão.
EQUILÍBRIO E HARMONIA: Há uma visão impessoal e objetiva em relação a um “eu”, ou seja, sua vida subjetiva e particular. É por isso que interessa o Amor e não o amor, a Amada e não a amada. Note que há também uma questão conceitual na maioria dos sonetos. O poeta quer comunicar um pensamento sobre o que é o amor e não falar apenas do sentimento.
CAMÕES ESCREVEU, UTILIZANDO
A MEDIDA NOVA: versos com 10 sílabas poéticas. Estes poemas são considerados os melhores de Camões!
A MEDIDA VELHA: redondilha o menor (cinco sílabas poéticas) e redondilha maior (7 sílabas poéticas).
TEMAS PRINCIPAIS
AMOR: concepção neoplatônica do amor, ou seja, o Amor é um ideal superior, único e perfeito.
MUTABILIDADE E DESCONCERTO DO MUNDO: tensão entre o ideal desejado e as incertezas da vida gera visão pessimista. O mundo está em transformação, mas não necessariamente em direção ao bem e à perfeição. Pelo contrário, parece estar sempre em desarmonia.
Onde acharei lugar tão apartado
Onde acharei lugar tão apartado
E tão isento em tudo da ventura,
Que, não digo eu de humana criatura,
Mas nem de feras seja frequentado?
Algum bosque medonho e carregado,
Ou selva solitária, triste e escura,
Sem fonte clara ou plácida verdura,
Enfim, lugar conforme a meu cuidado?
Porque ali, nas entranhas dos penedos,
Em vida, morto, sepultado em vida,
Queixe-me copiosa e livremente;
Que, pois a minha pena é sem medida,
Ali triste serei em dias ledos
E dias tristes me fará contente.
Luís de Camões

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